No Brasil, segundo o observatório da violência: ser negro significa ter 2,7% mais chance de ser assassinado em comparação a uma pessoa não negra; 75% dos assassinatos são cometidos contra pessoas negras; 75,4% das pessoas mortas em intervenções policiais são negras; 51,7% dos policiais assassinados são negros. As mulheres negras são as que mais morrem de forma violenta (66%), são mais vítimas de feminicídio (61%) e sofrem mais assédio (40,5%). Se comparadas com mulheres brancas elas têm 64% mais de chances de serem assassinadas.

Isso não é tudo. Segundo os dados da Pnad, negros e pardos têm maiores dificuldades em acesso à moradia (7 em cada 10 que moram em casas com inadequação) e trabalhadores negros recebem salário 17% menor que o de brancos com a mesma origem social, segundo estudo divulgado pela PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) em parceria com a Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL).

Talvez você esteja pensando que esses dados fazem sentido sim pois, no fim das contas, 56,2% da população brasileira é negra e parda e portanto, a conta é muito simples: eles são a maioria. Talvez você ache, assim como o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, ou até próprio vice-presidente Mourão, que racismo estrutural não existe.

Mas então, por que quando analisamos quem são os políticos que ocupam os legislativos e executivos a maioria é branca, mesmo que os negros sejam quase a maioria dos candidatos?

Sim, em 2020, segundo o TSE, negros e pardos eram maioria, 50,9% dos candidatos, mas apenas 10% dos vereadores eleitos são pretos e pardos. Já em 2018, o número de candidatos negros e pardos que disputou as eleições chegou a 46,5% – quase o mesmo índice de brancos. O resultado nas urnas prova como é difícil para essa parcela da população alcançar uma vaga, pois, entre candidatos eleitos, há somente 23% pardos e 4% pretos (apenas 27% no total).

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Cientistas políticos analisam porque a democracia brasileira é majoritariamente branca. Há alguns fatores atrelados ao racismo estrutural que explicam esses dados: a desigualdade social, a concentração de negros e pardos em partidos menos competitivos e o menor acesso desses grupos ao financiamento de campanha. Enquanto isso, o sistema tenta diminuir essas desvantagens. Recentemente, o TSE decidiu que a distribuição dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) – também chamado de Fundo Eleitoral – e do tempo de propaganda eleitoral gratuita na rádio e na televisão deve ser proporcional ao total de candidatos negros que o partido apresentar para a disputa eleitoral.

Talvez você esteja se perguntando: por que isso importa tanto e por que tantas tentativas de mudança têm sido feitas? A falta de representatividade da população brasileira na política e a diminuição da participação popular em conselhos de políticas públicas dificulta a diminuição da desigualdade social, segundo os especialistas. Ou seja, a desigualdade política impacta na desigualdade econômica, que se acentua à medida que os representantes não atendem às demandas especificas desses segmentos da população.

Será que em 2022 essas mudanças terão efeitos significativos ou a democracia brasileira continuará sendo majoritariamente branca? Muito provavelmente a gente não verá mudanças significativas, mas todo pequeno avanço é um grande passo para combatermos o racismo estrutural…

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